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diumenge, 19 de juny del 2011

'Mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia...'

"A morte é um processo natural, quando me chegue entrarei na nada e me dissolverei nela".

José Saramago

Já descansa na sua Lisboa, em terra de Lanzarote sob uma oliveira d'Azinhaga.



dilluns, 7 de febrer del 2011

Teófilo Braga e a construção ibérica

Teófilo Braga, presidente que foi do governo provisório da República de Portugal, escrevia dantes de se proclamar a República no país, a propósito de uma possível união de Espanha e Portugal:

"Se a República na Península hispânica quer ter um destino firme e progressivo terá que seguir as tendências separatistas, que são imortais, com a forma disciplinada de um pacto federativo, reconstituindo a autonomia destes pequenos Estados da Idade Média. Quando a República terá dividido Espanha nos Estados autónomos da Galiza Astúrias, Vizcaya, Navarra, Catalunha, Aragão, Valencia, Múrcia, Granada, Andaluzia, Estremadura, Castilha a Nova, Castilha a Velha e Leão, então somente Portugal poderá constituir com ela uma Federação, tendo assegurada sua independência contra toda anexação ibérica então somente poderá constituir, sem obstáculos, o Pacto Federal dos Estados livres peninsulares e ibéricos. O contrário é um absurdo, uma violência, que não fá-se-á sem verter sangue, e cujo resultado ver-se-ia destruído pouco tempo depois, como o foi em 1640."

E dirigindo-se aos republicanos espanhóis, Teófilo Braga acrescentava:

"O regime republicano enquanto os dois países governem-se por si mesmos, não pode, sem viciar seu essência, atacar o princípio das autonomias nacionais. Graças à República, Espanha será emancipada, deste unitarismo político que a afoga; uma nova seiva circulará entre as diferentes partes que compõem este país; suas energias heróicas, suas capacidades artísticas e cientistas encontrarão um novo aliciente. O mesmo Portugal, atrofiado por sessenta anos de um liberalismo bastardo, verá surgir no regime republicano seus novos homens que terão consciência de encher uma missão social. Os dois países confederados formarão uma potência européia, verdadeiro ponto de apoio da Confederação Latina ou ocidental, a Federação Ibérica, tendo como propósito uma acção comum, terá uma grande influência internacional baixo o triplo ponto de vista científico, económico e jurídico.

É um facto indiscutível que durante os últimos trinta anos, o movimento de secessão em Catalunha —o Portugal do Leste— tem tomado grande incremento. Parecia que com a República, este separatismo latente ficaria desvanecido, já que a República cabia esperar que fosse federal. Mas a não alteração das bases do Estado tem dado, pelo contrário, novos brios ao separatismo catalão. Seria ridículo pretender que este movimento é artificial. Não. Responde a uma realidade histórica. O separatismo é a resposta que abaixo se dá ao Estado cesarista, ao Estado unitario e gendarme. As razões que faz três séculos determinaram a separação de Portugal e a insurreição de Catalunha farão que amanhã, se a política espanhola não sofre uma transformação radical, Catalunha se separe e depois Vasconia, Galiza, as Baleares...
A nação responde a um processo histórico necessário. Dantes de que o mundo faça sua unidade definitiva, dantes de que desapareçam completamente as fronteiras —grande ideia socialista—, a nação é um degrau, uma parte desse grandioso movimento de integração no espaço e no tempo. Mas o que não tem razão de ser, o que se afunda inevitavelmente em um momento de crise, é toda estructuração artificial oposta ao rumo progressivo da História. Desfez-se o Império austro-húngaro; ficou esquartejado pela guerra porque ali também, como em Espanha, o Estado fazia impossível a livre coordenação nacional. A Espanha que, em soma é o que fica de um velho império, lhe está reservado um fim semelhante, seguindo o processo de desmoronamento, se não se tritura o Estado para fazer sobre suas ruínas uma estruturação enfocada para adiante e não para atrás, como ocorre agora.
A aspiração de um espanhol revolucionário não tem de ser que em um dia, quiçá não longínquo, seguindo seu impulso actual, a Península Ibérica fique convertida em um mosaico balcânico em rivalidades e lutas armadas fomentadas pelo imperialismo estrangeiro, senão que, pelo contrário, deve tender a procurar a livre e espontânea reincoproração de Portugal à grande unidade ibérica”…

divendres, 4 de febrer del 2011

Portugal, tão longe

Neste domingo fará já duas semanas das eleições à presidência da República de Portugal e se pode dizer que, entre nós, seu eco tem passado com a mesma rapidez e indiferença que se se tivesse tratado da Guiné-Conacri, Vanuatu ou Belize. Sempre me surpreendeu e desagradado este desinteresse catalão por Portugal, país com o que tantas coisas temos em comum, no passado e no presente. Unidos a Espanha pelas costas, fachada atlântica e mediterrânea da península ibéria, respectivamente, uns e outros já faz tempo que deveríamos ter feito uma aliança de interesses, já que a todos nos convém uma península multipolar e não radial, com sede central em Madri. Convém-nos na economia, o transporte, a cultura e a política.

De facto, pode-se dizer que Portugal nos deve uma. Imersos ambos, em 1640, em uma guerra contra Castelha, eles se conseguiram livrar-se e se proclamar independentes, ao ter o grosso das tropas inimigas centradas em Catalunha. Falávamos disso, em um jantar memorável, adiante do rio Tejo, em Lisboa, com Mário Soares e Manuel Alegre. Este último, candidato da esquerda à presidência de Portugal e bom conhecedor da poesia catalã, é um destacadíssimo poeta, romancista, vice-presidente do Parlamento e autor do preâmbulo da constituição de seu país, onde o primeiro valor ao que se faz referência é a "independência nacional". Já desde a época de sua ativíssimo exílio em Argélia, tem unido sempre as propostas de esquerdas com a defesa da identidade nacional, sem nenhum tipo de complexo.

A iniciativa privada catalã já faz tempo que tem em Portugal um peso notável, enquanto, pelo contrário, as relações políticas entre partidos instituições são, de facto, praticamente inexistentes e as culturais são mínimas. É uma lástima que assim seja e que não possamos beneficiar de uns fluxos de relações que tão positivos seriam no âmbito cultural, para nossas línguas, e económico, pensando sobretudo no mercado tão interessante que configuram os países de língua portuguesa. E, logicamente, também na política.

(artigo publicado em NacióDigital.com)

dijous, 3 de febrer del 2011

Antoni Calvet, 'Gaziel'

Agustí Calvet Pascual (Sant Feliu de Guíxols, Girona, 7 de outubro de 1887 – † Barcelona, 1964) foi um escritor e jornalista catalão, conhecido baixo o pseudônimo de Gaziel. Nasceu no seio de uma família burguêsa que emigrou a Barcelona quando ele era ainda um menino, pese ao qual sempre se manteve em contacto com sua localidade natal. Em 1903 começou a carreira de Direito na Universidade de Barcelona, impulsionado pelo desejo paterno de que ganhasse uma notaria. Mais tarde se matriculou-se na Faculdade de Letras, sua verdadeira vocação. Viveu em uns meses em Madri, onde doctorou-se em 1908. Ali teve a oportunidade de tratar a diversas figuras da época, como Bonilla y San Martín –seu querido maestro–, Ramón y Cajal, Luis Simarro, Unamuno, Galdós e Vale-Inclán.

Iniciou sua carreira jornalística en La Veu de Catalunya, a revista da Lliga *Regionalista. Em 1911 começou a trabalhar no Institut d'Estudis Catalans, fundado pouco dantes por Prat de la Riba. Na capital francesa, onde se tinha transladado para aprofundar seus conhecimentos, viveu o estouro da Grande Guerra, sobre o qual deu boa conta em suas crónicas para La Veu. Estes trabalhos não gostaram a Prat de la Riba (que dirigia La Veu) e sim, pelo contrário, a Miquel dels Sants Oliver, que por então era ainda colaborador com o jornal da Lliga. Isto levou a Gaziel a se incorporar à La Vanguardia para escrever sobre o Paris da Primeira Guerra Mundial. Suas crónicas sobre a guerra foram muito lidas em toda Espanha e lhe consagraram como jornalista. Desde então e até 1953, utilizou quase exclusivamente o castelhano, o que lhe valeu não poucas críticas por parte dos sectores mais catalanistas. No diário barcelonês, que durante a República chegou a ser um dos que tinha mais atirada de toda Espanha, decorreu boa parte de sua carreira jornalística e inclusive chegou a dirigir o diário entre 1920 e 1936. Nessa época converteu-se no jornalista político mais admirado e no líder de opinião da burguesía liberal e democrática, que era o público natural de La Vanguardia.

Ao estourar a Guerra Civil, exilou-se. Sua é a frase: "Se da República têm de estar ausentes as direitas, quando mandam as esquerdas, e depois, quando são as direitas as que governam, as esquerdas têm de enlouquecer e lançar à revolução, não terá, não tem tido ainda, verdadeira democracia em Espanha. Como tantas outras coisas, a democracia aqui não é mais que um nome de raízes clássicas e de conteúdo estrangeiro". Regressou a Espanha em 1940, apressado pelo avanço nazista na Europa. Foi processado e absolvido pelas autoridades franquistas. Estabeleceu-se em Madri, e começou a escrever em catalão livros de memórias e de viagens. Já setuagenário, regressou a Barcelona onde retomou com entusiasmo a escritura em sua língua materna, tratando de reconciliar-se com o catalanismo da sua juventude.

Republicano íntegro e de talante moderado, laico e democrata, amante de sua terra e sua língua, mais federalista que nacionalista, morreu à idade de 77 anos e deixou um legado literário formado por oito livros em castelhano e catorze em catalão. Josep Benet, no prólogo à Obra Catalana Completa (1970) que publicou postumamente a Editorial Selecta, valorizou assim sua contribuição: «Provavelmente tem sido o escritor político mais inteligente que tem dado a direita catalã neste século». Para muitos é considerado o primeiro jornalista "moderno" do estado espanhol, e o primeiro em dar uma ótica internacional a seus escritos.

É o autor da frase: «Não serão as vontades dos homens mais as leis da História as que alterarão a actual estrutura da Península Ibéria; a melhor forma de produzir-se essa evolução será dentro de uma Europa unida».

dimecres, 2 de febrer del 2011

Pessoa e a civilização ibérica

"Na península hispânica, de um lado a outro, nós não somos latinos, somos ibéricos. É preciso assentar nisto, antes de em mais nada. Nada temos, psicologicamente, de comum com os dois países herdeiros da civilização latina propriamente dita — a Itália e a França. Nós não somos latinos, somos ibéricos. Temos — espanhóis e portugueses — uma mentalidade à parte do resto da Europa. Por mais diferenças que nos separem ( e elas deveras existem) estamos mais próximos psiquicamente uns dos outros, do que qualquer de nós de outro qualquer povo extra-ibérico. Têm-se dito coisas como que nós portugueses somos mais parecidos com os franceses, ou com os italianos, do que com os espanhóis; felizmente não é verdade".
(Colagem de textos para o filme "Mensagem")

"Nós, ibéricos, somos o cruzamento de duas civilizações — a romana e a árabe. Na França e na Alemanha a civilização romana existe sobreposta ao fundo original, sem outro influxo civilizacional. Somos, por isso, mais complexos e fecundos, de natureza, que a França ou Alemanha, [...]"
("Problema Ibérico")

"Ibéria
Separados, teremos, cada um de nós, um sentido nacional; não temos sentido civilizacional. Poderemos existir mais ou menos digna e decentemente, como qualquer Bélgica ou qualquer Suíça, mas isso não é existência digna de que a ela se aspire. Valemos mais do que isso; temos direito a fazer mais que a existir."
("Sentido nacional e sentido civilizacional: a Civilização Ibérica")

"Se somos ibéricos, temos direito a esperar que tudo deve tender para uma política ibérica, para uma civilização ibérica que, comum aos países que compõem a Ibéria, a todos, porém, transcenda (a cada um deles individualmente transcenda)."
("A síntese cultural ibérica")

"Posto, pois, que deve tender-se para uma qualquer unidade ibérica, no mesmo momento fica posto que essa unidade deve ser constituída por povos o mais divergentes possíveis dentro dessa unidade. Desaparece logo, como absurda, como ibericamente criminal, toda a tentativa que se queira esboçar de absorção de um país por outro, como criminal resulta, também logo, a absorção (fictícia, aliás) da nação catalã por Castela. Por que chegamos finalmente à visão integral da confederação ibérica."
("Problema Ibérico")

dimecres, 17 de novembre del 2010

Portugal-Espanha


Hoje à noite joga-se no Estádio da Luz um encontro amistoso entre as equipas de Portugal e Espanha, que visa dar um impulso à iniciativa conjunta para celebrar em 2018 a Copa do Mundo, à qual optam sob o nome de Candidatura Ibérica.

divendres, 12 de novembre del 2010

Sinibal de Mas

Apresento aqui uma das grandes figuras do Iberismo: Sinibald Mas i Sans (1809-1868). Sinólogo, pintor, calígrafo, escritor, embaixador, aventureiro e intelectual iberista espanhol, e um dos pioneiros da fotografia.

Discípulo de Pablo Alabern em Barcelona, apresentou ao Parlamento em 1821 unos testes práticos caligrafia. Ele estudou idiomas, dos quais veio a conhecer cerca de vinte, e física. Traduziu a Eneida de Virgílio em hexameters castelhanos. Era um bom pintor, são conservados os seus retratos de Manuel de Cabanyes e de Joaquim Roca i Cornet, feitos por volta de 1830. Publicou em 1831 em Barcelona Vinte-e-quatro poemas líricos e Aristodemo, uma tragédia em verso na que ele tentou exercer um sistema interessante e peculiar do sistema métrico, que descreveu no seu ensaio Sistema musical da língua castelhana (Barcelona, 1832). Também inventou uma linguagem universal. Protegido por Remisa, trabalhou em El Vapor até meados de 1834. Recomendado por Félix Torres Amat obteviu a protecção de Cea Bermúdez, Francisco Martínez de la Rosa e Javier de Burgos para a nomeação de tradutor encarregado de viajar para o Oriente para reunir notícias e documentos literários e estatísticos, de política, comércio e todos os gênero que poderiam importar aos interesses e as glórias nacionais.

A sua aventura viagera, iniciada em 1834, levou-o de Marselha para Constantinopla, onde ele contraiu uma amizade com o erudito orientalista Lopez de Córdoba, e até 1838 que ele veio para Calcutá, passou pelo Líbano, Palestina, Egito, Arábia e Pérsia. Em Bengala fez alguns dos primeiros darregotipos conhecidos da região. Como o seu salário demoraba para chegar, estabeleciu-se em Manila, vivendo da sua habilidade como retratista e da caridade do Padre Manuel Bueno, que tinha-le ficado na cela cinco meses. No seu regresso a Madrid em 1842, publicou Relatório sobre o estado das Ilhas Filipinas, primeiro em edição confidencial em 1842, e depois públicamente em 1843; como defendeu a independência do arquipélago, ele mesmo eliminou a parte que não gostou ao governo. Establecido em Macau, em 1844, publicou L'idéographie, 1844, e em Manila, o seu Potpourri literária (1845), dedicado a Torres Amat. Trabalhou em El Renacimento de Madrid (1847). Nesse mesmo ano foi nomeado como o primeiro embaixador espanhol na China; chegou lá a primeira vez quando tinha 34 anos. Obteve a representação e a embaixada em Pequim quando apenas a França, Grã-Bretanha e E.U.A. tinham alcançado a acreditação do Imperador Manchu , muito relutante à penetração ocidental, e o seu amigo José de Aguilar, que também seria um grande sinólogo, ganhou o consulado em Hong Kong em 1848, com residência em Macau.

Retornando a Madrid em 1851, entre as suas obras de ensaio político destaca, ao calor do movimento pro "União Ibérica", La Ibéria. Relatório sobre a conveniência de união pacífica e legal de Portugal e Espanha. Este trabalho foi publicado pela primeira vez em Lisboa, em 1851; Latino Coelho traduziu para o Português em 1852. Foi muito reimpressa tanto na mesma cidade como em Madrid. O trabalho tentaba, de acordo a Rocamora, demonstrar "os benefícios políticos, económicos e sociais da união das duas monarquias da península em uma única nação". Pode ser entendida como manifestação dos interesses económicos da burguesia peninsular, que, concorrendo com a França e a Grã-Bretanha, queria expandir o seu mercado. O escudo da nova nação foi do que Espanha e Portugal combinado, e a bandeira, composta de quatro cores: branco, azul, vermelho e amarelo. Foi reeditado em 1853 em Madrid, ao mesmo tempo que as suas Obras literarias. Ele foi condecorado com a Ordem de Carlos III.

Mas também escreveu L'Angleterre, la Chine et l'Inde, Paris, 1857, e La Chine et les puissances chrétiennes, Paris, 1861, livros bem documentados que recomendam aumentar o comércio e dividir a China para uma melhor exploração comercial por os países europeus. Retornando ao seu amor por a caligrafia, publicou em Paris Cartilla, 1858, e em colaboração com Jerome Canals, Arte de escribir en letra española, de 1860; com W. Norriat escreveu Arte de escribir letra inglesa, 1860. Manuel Ovilo y Otero escreve também que é o autor de Colección de despachos diplomáticos. São as suas comunicações com o governo. A primeira é sobre a Grécia, outra sobre Suez, outra da Mouka, outra de Calcutá. Também de uma Noticia estadística y mercantil de Shanghay, de Ningpó, de Intérprete del viajero en Oriente, de Estat de les Illes Filipones , 1845 e de Memoria sobre las rentas públicas de Filipinas y los medios de aumentarlas.

dimarts, 9 de novembre del 2010

O Iberismo

Os povos ibéricos sempre andaram juntos, às vezes com uma história comum, às vezes em paralelo.
Da Hispânia romana, através do reino visigótico e à presença árabe, a unidade foi uma constante. Com a Reconquista esta unidade encontra-se fragmentada e cada povo funciona de forma autónoma; apesar disso, a visão da unidade ibérica esteve sempre presente, e a prova disso é a política de alianças matrimoniais. Com Filipe de Habsburgo esta unidade se concretiza, reunindo sob uma sola corõa as Espanhas e Portugal. Mas em 1640, por diversas razões, separan-se outra vez os seus destinos.

E chegamos ao século XIX, quando surge o Iberismo como tal; um movimento que procurou emular o sucesso da Unificação alemã e do Risorgimento italiano. Das Cortes de Cadiz (as cortes constiuintes espanholas de 1812, durante a invasão napoleônica), tentou-se uma aliança liberal com Portugal, juntando forças para combater o absolutismo e o Antigo Regime. E na segunda metade do século, este iberismo adquire um caráter progressista, federal e republicano.

Com o Ultimato Britânico de 1890 contra o colonialismo português, ou com o chamado Desastre de 1898, e a perda das últimas colônias espanholas, surgem novas vozes pedindo a união ibérica, especialmente desde o nacionalismo periférico, a fim de recondudir a deriva peninsular. A essas vozes une-se, por exemplo, a de Miguel de Unamuno o Teófilo Braga.

E assim vemos que, mesmo a Constituição da Segunda República espanhola, reconheceu a dupla nacionalidade hispano-portuguesa. Ou Francesc Macià, que proclamou "l'Estat Català integrat en la federació de Repúbliques Ibèriques". Depois vieram as ditaduras fascista de um lado e outro, e finalmente a democracia, embora no caso de Portugal, de forma muito mais digna. Em 1986, ambos os estados incorporam-se no projecto europeu.

Neste novo cenário é onde tem maior sentido completar este sonho chamado Ibéria. Criar um projeto forte na Europa, capaz de desempenhar um papel na comunidade internacional, plenamente democrático e federal, que finalmente resolva as dinâmicas centrípetas e centrífugas, onde sejam respeitadas nossas línguas, culturas, história e identidades; em suma, onde todos sintamos-nós confortáveis.

«Não serão as vontades dos homens, mas as leis da História que vão alterar a atual estrutura da Península Ibérica. A melhor maneira de se produzir essa evolução será dentro de uma Europa unida».
Agustí Calvet, Gaziel. (1887-1964)