"A morte é um processo natural, quando me chegue entrarei na nada e me dissolverei nela".
José Saramago

"A morte é um processo natural, quando me chegue entrarei na nada e me dissolverei nela".
José Saramago

Teófilo Braga, presidente que foi do governo provisório da República de Portugal, escrevia dantes de se proclamar a República no país, a propósito de uma possível união de Espanha e Portugal:
Neste domingo fará já duas semanas das eleições à presidência da República de Portugal e se pode dizer que, entre nós, seu eco tem passado com a mesma rapidez e indiferença que se se tivesse tratado da Guiné-Conacri, Vanuatu ou Belize. Sempre me surpreendeu e desagradado este desinteresse catalão por Portugal, país com o que tantas coisas temos em comum, no passado e no presente. Unidos a Espanha pelas costas, fachada atlântica e mediterrânea da península ibéria, respectivamente, uns e outros já faz tempo que deveríamos ter feito uma aliança de interesses, já que a todos nos convém uma península multipolar e não radial, com sede central em Madri. Convém-nos na economia, o transporte, a cultura e a política.
Agustí Calvet Pascual (Sant Feliu de Guíxols, Girona, 7 de outubro de 1887 – † Barcelona, 1964) foi um escritor e jornalista catalão, conhecido baixo o pseudônimo de Gaziel. Nasceu no seio de uma família burguêsa que emigrou a Barcelona quando ele era ainda um menino, pese ao qual sempre se manteve em contacto com sua localidade natal. Em 1903 começou a carreira de Direito na Universidade de Barcelona, impulsionado pelo desejo paterno de que ganhasse uma notaria. Mais tarde se matriculou-se na Faculdade de Letras, sua verdadeira vocação. Viveu em uns meses em Madri, onde doctorou-se em 1908. Ali teve a oportunidade de tratar a diversas figuras da época, como Bonilla y San Martín –seu querido maestro–, Ramón y Cajal, Luis Simarro, Unamuno, Galdós e Vale-Inclán.
Apresento aqui uma das grandes figuras do Iberismo: Sinibald Mas i Sans (1809-1868). Sinólogo, pintor, calígrafo, escritor, embaixador, aventureiro e intelectual iberista espanhol, e um dos pioneiros da fotografia.
A sua aventura viagera, iniciada em 1834, levou-o de Marselha para Constantinopla, onde ele contraiu uma amizade com o erudito orientalista Lopez de Córdoba, e até 1838 que ele veio para Calcutá, passou pelo Líbano, Palestina, Egito, Arábia e Pérsia. Em Bengala fez alguns dos primeiros darregotipos conhecidos da região. Como o seu salário demoraba para chegar, estabeleciu-se em Manila, vivendo da sua habilidade como retratista e da caridade do Padre Manuel Bueno, que tinha-le ficado na cela cinco meses. No seu regresso a Madrid em 1842, publicou Relatório sobre o estado das Ilhas Filipinas, primeiro em edição confidencial em 1842, e depois públicamente em 1843; como defendeu a independência do arquipélago, ele mesmo eliminou a parte que não gostou ao governo. Establecido em Macau, em 1844, publicou L'idéographie, 1844, e em Manila, o seu Potpourri literária (1845), dedicado a Torres Amat. Trabalhou em El Renacimento de Madrid (1847). Nesse mesmo ano foi nomeado como o primeiro embaixador espanhol na China; chegou lá a primeira vez quando tinha 34 anos. Obteve a representação e a embaixada em Pequim quando apenas a França, Grã-Bretanha e E.U.A. tinham alcançado a acreditação do Imperador Manchu , muito relutante à penetração ocidental, e o seu amigo José de Aguilar, que também seria um grande sinólogo, ganhou o consulado em Hong Kong em 1848, com residência em Macau.
Retornando a Madrid em 1851, entre as suas obras de ensaio político destaca, ao calor do movimento pro "União Ibérica", La Ibéria. Relatório sobre a conveniência de união pacífica e legal de Portugal e Espanha. Este trabalho foi publicado pela primeira vez em Lisboa, em 1851; Latino Coelho traduziu para o Português em 1852. Foi muito reimpressa tanto na mesma cidade como em Madrid. O trabalho tentaba, de acordo a Rocamora, demonstrar "os benefícios políticos, económicos e sociais da união das duas monarquias da península em uma única nação". Pode ser entendida como manifestação dos interesses económicos da burguesia peninsular, que, concorrendo com a França e a Grã-Bretanha, queria expandir o seu mercado. O escudo da nova nação foi do que Espanha e Portugal combinado, e a bandeira, composta de quatro cores: branco, azul, vermelho e amarelo. Foi reeditado em 1853 em Madrid, ao mesmo tempo que as suas Obras literarias. Ele foi condecorado com a Ordem de Carlos III..svg.png)
Da Hispânia romana, através do reino visigótico e à presença árabe, a unidade foi uma constante. Com a Reconquista esta unidade encontra-se fragmentada e cada povo funciona de forma autónoma; apesar disso, a visão da unidade ibérica esteve sempre presente, e a prova disso é a política de alianças matrimoniais. Com Filipe de Habsburgo esta unidade se concretiza, reunindo sob uma sola corõa as Espanhas e Portugal. Mas em 1640, por diversas razões, separan-se outra vez os seus destinos.
Neste novo cenário é onde tem maior sentido completar este sonho chamado Ibéria. Criar um projeto forte na Europa, capaz de desempenhar um papel na comunidade internacional, plenamente democrático e federal, que finalmente resolva as dinâmicas centrípetas e centrífugas, onde sejam respeitadas nossas línguas, culturas, história e identidades; em suma, onde todos sintamos-nós confortáveis.